O TAMANHO IDEAL DO CASCO
Um dos aspectos mais comentados e discutidos na avaliação da conformação de um cavalo são os cascos. Seja um criador avaliando seus produtos, um veterinário durante o exame de compra e venda, ou ainda, um ferrador definindo o modelo e tamanho de ferradura a ser aplicada, os cascos são sempre motivo de polêmica e controvérsias. E um dos aspectos que é sempre passivo de discussão está relacionado ao tamanho do casco.
É muito comum quando atendemos um cavalo o proprietário perguntar se os cascos são pequenos ou grandes demais e este parâmetro acaba sendo uma das mais difíceis avaliações pelo clínico e pelo ferrador, pois a grande maioria dos observadores amparam-se apenas na subjetividade da sua experiência e opinião individual para responder a esta questão e, infelizmente, equivocando-se inúmeras vezes.
A Podiatria buscou através de uma avaliação objetiva e desprendida de subjetividade, criar equações matemáticas que determinem um equilíbrio entre peso recebido no casco e a área de superfície solar do mesmo. A fim de expressar uma razão que possa responder adequadamente e permita uma precoce identificação de situações problema, esta equação matemática pode ser utilizada como uma ferramenta de seleção genética.
Infelizmente alguns criadores de determinadas raças vem cada vez mais selecionando cavalos com cascos menores e utilizam-se deste parâmetro como um aspecto positivo para a classificação dos melhores animais para perpetuarem as boas características da raça. Entretanto, esquecem de uma regra básica da física que diz: “Quanto maior o peso aplicado em uma menor área, maior a pressão”. Assim sendo, o peso de um cavalo aplicado a cascos diminutos gera grande quantidade de pressão por centímetro quadrado elevando substancialmente o número de patologias, principalmente, relacionadas ao impacto. Estudos recentes vêm relacionado situações patológicas em cavalos de cascos demasiadamente pequenos. Em 1988, o médico veterinário Tracy Turner correlacionou a maior incidência da Síndrome podotroclear (Síndrome navicular) em cavalos com cascos pequenos. A atrofia de ranilha, encastelamento, compressão e calcificação das cartilagens colaterais, rachaduras e a incapacidade funcional de expansão dos talões e de amortecimento são algumas situações mais frequentes e passíveis de ocorrer em cascos pequenos. Assim sendo, Kaneps et al. (1988) apresentou a seguinte fórmula para calcular o tamanho dos cascos de potros:
Porém, esta fórmula acabava sendo utilizada apenas para comparar cascos entre diferentes cavalos. Já em 1992, T.A. Turner apresentou uma nova fórmula que pode definir uma razão entre peso aplicado versus área de casco e através do resultado obtido, pode identificar se um casco está ou não pequeno para o peso do cavalo.
A fórmula é:
O peso do cavalo deve ser medido em libras e a circunferência do casco em polegada, sendo:
• 1 libra = 454g
• 1 polegada = 2,54 centímetros
A medida do tamanho da circunferência do casco deve ser tomada logo abaixo da banda coronária (coroa) e o peso do cava-lo pode ser medido através das fitas de medição do perímetro torácico. Se o resultado obtido for superior a 78 libras por polegada o casco é considerado pequeno.
A aplicação de ferraduras, técnicas de casqueamento e produtos que permitam a expansão do diâmetro do casco deve ser cada vez mais utilizada e divulgada como ferramentas terapêuticas, objetivando com isto oferecer um auxílio na correção do tamanho dos cascos. Adicionalmente, o controle de peso dos cavalos também se mostra uma boa opção que melhora a proporção peso versus área de casco.
Quase 500 anos antes de Cristo, o homem vem fazendo pesquisas e apontamentos sobre o movimento dos cavalos. Desde o General ateniense Jenofonte, passando por Leonardo Da Vinci, muitas foram os estudos realizados e, modernamente, a Medicina Veterinária, em especial a Podiatria, deve assumir cada vez mais seu papel na manutenção da espécie equina, auxiliando criadores na busca e seleção de cavalos com cascos fortes, saudáveis e equilibrados permitindo a plena existência da espécie.
Esp. Marcelo Dias Miranda (CRMV-PR 4407) Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento Palmilhas ESE





